Tem coisas nesse armazém

Nesse armazém existe uma arma zen, pedaços de alegrias, pacotes de neurõnios, vidros de paz, sons que podemos ser, hai-cais, poesia e prosa, perfume e cheiro, muita coisa tem nesse armazém

25 junho 2012

2° MULTIVERSO COMIC CON - A PRIMEIRA A GENTE NÃO ESQUECE


Depois de um tempo grande escrevendo novamente pra relatar minha experiência na primeira comic con ou convenção de quadrinhos que vou. A 2ª Multiverso Comic Con foi dia 23 e 24 de junho, no colégio marista São Pedro, em Porto Alegre. Evento bem organizado e com muitas atrações. Vários artistas brasileiros que estão botando banca nos EUA, desenhando para as majors Marvel e DC como Eddy Barrows, Rafael Albuquerque, Renato Guedes, Mateus Santolouco e Daniel HDR e um argentino que considero um dos grandes e de quem sou particularmente fã, Eduardo Risso (100 Balas, Batman - Cidade Castigada, Spaceman) além de muitos outros. Também vale registrar a presença dos editores da Panini, Levi Trindade e Fabiano Denardin que estão fazendo um óitmo trabalho a frente dessa editora que dá pra dizer, que é uma das melhores, se não for a melhor, editoras de quadrinhos do país e também do Sidney Gusman, um cara que dispensa apresentações para qualquer fã de quadrinhos atualizado ou não.


Logo na entrada, depois de passar pela revista (segurança reforçada, man) há um postinho de informações com a programação completa do evento a disposição. Tudo bem sinalizado ou seja, ninguém se perdia  - placas indicando os caminhos de todas as atrações do evento.
Uma coisa super-necessária porque além do evento ser mega, o colégio marista também é. São 4 andares numa área mais ou menos de 100x100m  aberto no centro  onde colocaram a praça de alimentação. Além disso, todo o pessoal da organização muito atencioso e educado, não deixava ninguém sem resposta.


Denilson, a lenda.
Depois de passar pelo postinho, tinha a área do pessoal que faz fanzine. Muita gente boa mostrando seu trabalho, batalhando um lugar ao sol e longe do mainstream das majors. É nessa hora que a gente vê a força dos quadrinhos. Conheci o Denilson Reis que é editor de vários fanzines pra mais de 20 anos - participou no Quadrante Sul, um dos primeiros gibis do sul,  cuja primeira edição saiu em 87 e agora há pouco teve sua quarta edição. Olha a batalha do cara! Hoje ele edita e produz 5 fanzines, escreve pra jornal, site e ainda é professor de história e músico.

Antonio e Gustavo do Harley Studio - a nova geração
Do lado dele estava o Antônio Pereira e o Gustavo Borges, uns meninos que tem um estúdio, o Harley. O Gustavo está começando e já tem seu gibizinho, produção independente, o Morte Crews, além de vários projetos. do estúdio

Além desses tinha também o Profecia do Jerry Souza, com uma produção mais artesanal mas muito caprichado e histórias de vários gêneros, e outros como a série Debiloids do Rogério de Souza, com uma visão critica e bem humorada sobre variados assuntos e a revista Gaúcho Negro para colorir.
Super-importante esse espaço porque o fanzine é o laboratório do artista, é onde se testa e se contesta. É onde nascem os grandes projetos e de onde vem os grandes artistas. A independência financeira, mesmo que a duras penas, é o motor do fanzine.
Os Debiloids do Rogério
Bom depois do purgatório, já que estamos num colégio marista, vem o céu ou o inferno dependendo do ponto de vista. O céu para os fãs que poderiam ver alguns dos melhores desenhistas em atividade, desenhando e autografando e disponíveis para conversar, tirar fotos, etc. Inferno para o bolso porque meus camaradas  haja bolso.
a White Russian Society
Eu e o Rafael Albuquerque do Vampiro Americano

Logo na entrada do salão principal, havia o estande da White Russian Society, com Marcelo Braga, Rafael Abuquerque, Gustavo Duarte, Renato Guedes e Eduardo Medeiros - só fera. Comprei as 2 partes de Tune 8 do Albuquerque, que já tinha visto na web e gostado. Também peguei o Taxi do Gustavo Duarte de quem já tenho o Birds e não resisti a um poster-ilustração de Superman do Renato Guedes.
Essa foto com o Rafael Albuquerque quem tirou foi o Levi Trindade da Panini.


Eu e o Renato Guedes - ilustrador do Superman, entre outros.



Print do Renato Guedes. Ao vivo é melhor ainda.
Daniel HDR autografando o meu,  o 4 de 50. My precious. hehehe

Depois fui dar uma olhada por ali e achei o estande do Dinamo HQ Studio, capitaneado pelo Daniel HDR que estava desenhando com uns camaradas e lançando seu mais recente poster edição limitada: Liga da Justiça com os Super-Heróis da Hanna Barbera. Se eu comprei? bom...

Além dos desenhistas o estande estava sendo atendido por uma equipe muito atenciosa e eu morri legal ainda num encadernado Violent Cases do Gaiman e McKean, pero com descontinho camarada.
MUUITO MASSA!
Liga da Justiça Sem Limites e Cavaleiro das Trevas no Dinamo.

Para quem quiser ir aconselhável levar uma reserva legal de grana porque coisas para comprar é que não faltam. E por mais controlado que o sujeito seja, ele gassta e nem sente de tão faceiro que fica. Sabe criança em loja de brinquedos, então...

 Tinha no salão principal uns 5 estandes de livrarias e revistarias, 4 estandes com artistas vendendo seus peixes, ops, albuns e gibis, com direito a autografo, sketch e foto, 4 estandes com camisetas, 2 com brindes, 1 com action figures, etc, etc. De babar. E eu babei, velho!



Até o V entrou na onda do capitalismo selvagem!







CONSELHO JEDI RS


Bom, depois de tudo isso eu subi ao 2° andar para dar uma olhada nas salas temáticas da Liga Comics,e do Conselho Jedi RS 



promocional do lançamento da hexalogia.
O Conselho Jedi é um fã-clube oficial de Star Wars e a sala deles estava muito bacana e bem organizada com  uma coleção das mais fantásticas de itens de Star Wars incluindo posters, estatuetas de resina, entre outras preciosidades.
banner da trilogia original

Pô, Edina essa lojinha leva qualquer jedi a falência. hehehe

Na área de souvenirs, uma infinidade de itens a venda como chaveiros, botons, canecas, copos, adesivos, mousepads, etc, etc.Essa é uma das fontes de receita do grupo.

Eles participam de muitos eventos com essa sala temática mas os planos incluem a realização de uma convenção somente de star wars em novembro - o 8° JEDICON. Espero poder participar.




Algumas peças da coleção do pessoal do Conelho Jedi RS - No Sale. Muito bom!

Peças muito foda que gostaria de ter em casa.

Uma das coisas interessantes da sala. Um cenário para tirar fotos com direito a traje e sabre de luz. Bom, eu não resisti mesmo.
'' - I´m your father, Luke! - Oh, no!'' huahauhauahau
LIGA COMICS

Depois desse mico, resolvi visitar o pessoal da Liga Comics - um grupo formado por amigos das mais variadas profissões e que tem em comum a paixão por quadrinhos. Daí surgiu essa sala temática que é itinerante. Eles já estiveram em muitos eventos como feiras do livro, comic cons, escolas, etc.


A coleção deles é incrível e tem de tudo um pouco, actions, miniaturas, reproduções, gibis. Na verdade, me distraí e tirei poucas fotos. Fiquei conversando com o pessoal e marquei nessa.
Coleção de Batmóveis da Hotwheels
Superman salva o dia, sempre.

Tem também alguns originais bem interessantes. Uma parte da renda do grupo vem da venda destes além dos cachês das participações em eventos.

alguns originais da coleção do Gelson, o líder do grupo. Reparem no autógrafo.



O Gelson Weschenfelder é o líder do grupo. Além de professor de filosofia o camarada escreveu um livro de ensaios relacionando filosofia e super-heróis. Bem interessante. Depois que ler vou tentar fazer um release aqui no blog.

E olha só quem eu encontrei! heheheh
Praça de Alimentação do evento.
UNIVERSO BATMAN

Uma das coisas que mais me interessavam no evento era a exposição Universo Batman. Fui conferir. A mostra que estava no 4° Andar (haja perna pra tanta escada) era de uma coleção de originais de vários desenhistas e arte-finalistas do Morcego. É uma grande curtição ver os originais do que só se conhece pelos gibis. Ver o trabalho puro sem cor, no nanquim ou no grafite e ter um vislumbre do processo do artista. Não tem palavras que descrevam. 

Banner da entrada
Release com algumas das mais icônicas interpretações do Homem-Morcego
Dá pra notar o motivo que as fotos estão meio inclinadas por este primeiro release. Eram 3 mesas grandes com tampo de vidro e acima delas 3 malditas luzes fluorescentes que davam um reflexo filhadaputa no vidro. O jeito era tirar as fotos desse jeito pra poder pegar os detalhes.
Primeiro plano : Lee Bermejo e Tim Bradstreet - Batman/Deathblow
Segundo plano: pagina de Batman & Robin por Phil Jimenez 
Nanquim de Alex Maalev criado para a exposição de Batman 70 Anos

mais uma página de Batman/Deathblow com foco no Comissário Gordon

Gotham City - Joel Gomez - Print edição limitada

poster autografado da Batgirl por um cara que gosto muito: Dustin Nguyen 

Rafael Albuquerque grafite e nanquim sobre papel - A Batcaverna

Scott McDaniel - Alfred numa história de Asa Noturna.

Inimigos: O Coringa por Bill Sienkiewicz - o cara é muito foda.

Inimigos: Duas-Caras por Chris Bachalo

Outra do Nguyen - uma galeria dos piores e das melhores.
Família Batman - por Daniel HDR - nanquim e papel

Catwoman por Adam Hughes
Inimigos: Uma pagina do Pinguim por Michael Zuli

visão geral de uma das mesas. Sem muito espaço para fotografar.
Eddy, eu e o autógrafo.
Bom depois dessa reverência ao Batman desci para o salão principal do evento. Havia muita coisa pra ver ainda e gente pra conhecer.  

Um cara que estava no evento e que atualmente é um dos brasilieros que está fazendo muito sucesso com seu trabalho na DC,  Eddy Barrows, gente boa e super educado (como todos). Comprei seu Sketchbook e ganhei um autógrafo super-especial ou melhor bat-especial.  hehehe



Espectral e Rorschach. Faltava um comediante. Não faltava nada.

Uma coisa que achei muito interessante foram os cosplays  Achei a Espectral e o Rorschach e pedi pra tira uma foto. E não é que o Batman me sai de papagaio de pirata. 
Eu já estava meio cansadão e ainda não tinha conseguido o que mais queria. Conhecer o Eduardo Risso e autografar meu Batman Cidade Castigada e meu 100 balas vol.1. Na área de autográfos o pessoal estava se revezando e nada do cara. Já estava meio preocupado e o camarada que tomava conta já estava de saco cheio da minha cara. Acho que já estava perguntando de cinco em cinco minutos. A essa hora o evento estava bombando. Ollhei pro lado e vi o Levi Trindade, editor da linha DC da Panini na fila dos autógrafos e la perto da White Russian Society, o Sidney Gusman batia um papo com sei lá quem. Todo mundo numa boa.
De repente do nada, alguém diz, lá vem ele, la´vem ele. Entramos na fila eu e uma multidão. Eduardo Risso, o grande desenhista de 100 balas, etc, etc estava na mesa dos autógrafos. Fui o primeirão! Enfim ia autenticar minhas 2 obras de arte com o mestre. Não quis levar mais porque não queria abusar e tal. Bom, atrás de mim, tinha um cara com umas 20 revistas incluindo os 9 volumes de 100 balas da `Panini. Bom, azar. Lá fui eu. Cheguei na boa, falando em espanhol com o homem, ele é argentino. Cara muito gente fina e simpático. Não só autografou como fez um sketch do Batman no Cidade Castigada. Demais!!!
Eduardo Risso, o cara. Argentino e gente fina.
O momento sublime.hauahuahaua

A obra de arte.
Bom, depois dessa me lembrei que tinha estômago e fui achar alguma coisa pra comer na praça de alimentação. Sentei lá e fiquei dando uma curtida nos cosplays enquanto não chegava a hora do painel da Vertigo. A coisa é muito divertida. Todo mundo curte a brincadeira, tira fotos. Muito bacana mesmo.

No meio dos humanos, os Cosplays
as mais lindas Aves de Rapina
Gavião Arqueiro vs Mônica
A loira é Super. O problema era o primo que não desgrudava. hehehe
Cena Cosplay clássica. Todo mundo se diverte pra c..
Depois disso subi ao palco principal e fui assistir o painel da Vertigo com o Fabiano Denardin, editor da linha na Panini, Eduardo Risso e Rafael Albuquerque. Legal. Muitas perguntas. O pessoal falando sobre seu trabalho. O momento da Vertigo no Brasil que era muito bom e tal. Perguntei ao Risso como era trabalhar com o Brian Azzarello.Ele disse que era meio complicado - o homem mandava umas cinco páginas por semana e não entregava o ouro ou seja, não dava muitos detalhes da trama e dos personagens o que dificultava bastante o trabalho.


Bom, chegou o fim. Eu fiquei só um dia por lá e devo ter perdido muita coisa mas a experiência foi muito válida e super-importante para mim.  O que mais curti nessa comic con não foi a organização, as estrelas, painéis, os cosplays, os originais mas sim o fato de estar junto com gente que gosta do que eu gosto. Que curte gibi, filmes de aventura, arte e todo esse universo vasto e multiplo.  Essa foi a primeira que fui. Espero que seja a primeira de muitas. E pra finalizar uma última foto pra vocês terem idéia do que eu perdi. 

11 fevereiro 2012

LI E RECOMENDO...


ERA A GUERRA DE TRINCHEIRAS 
1914-1918




De Jacques Tardi.


Editora Nemo - 2011
formato 22x29,5cm - 128 páginas.- capa dura.


A Nemo, uma ramificação da Editora Autêntica , que se dedica a publicação de álbuns de quadrinhos, vem nos trazendo coisas muito boas inéditas e reeditando materiais que saíram há muito tempo no país. 




ERA A GUERRA DE TRINCHEIRAS, do francês Jacques Tardi, é uma graphic novel que fala sobre a primeira guerra mundial onde morreram mais de 10 milhões de pessoas e que envolveu 35 países. Muitos arrastados a isso por serem colônias dos países envolvidos.




Tardi, com seus belos e pungentes desenhos em preto e branco e uso perfeito de retículas, conta várias histórias curtas que tem como cenário as trincheiras, os campos de cadáveres e as cidades destruídas. Os personagens são as pessoas que são afetadas de várias maneiras pela guerra. Ora o artesão que é convocado a 'servir a pátria'; ora a mulher que fica a espera do amado, ora crianças que perdem a inocência quando a guerra bate a sua porta. 
São contos reais que mostram a estupidez  e a inutilidade da guerra, que Tardi captou nas conversas com seu avô, que combateu, tendo presenciado vários horrores. e que nos mostra com olhar cinematográfico em sequências perfeitas e grandiosas.



Este livro, publicado pela primeira vez em 1993, ganhou um Eisner quando saiu nos EUA e foi indicado ao Harvey. além de vários outros prêmios pelo mundo afora. Para escrevê-lo Tardi não baseou-se apenas no testemunho do seu avõ, tendo feito uma grande pesquisa como se vê na página de referências que está no final do volume. 






Tardi, mostra como o esquema monstruoso da guerra reduz cidadãos a meras peças de carne que servem para alimentar o fogo dos canhões. 


Longe das visões glamourosas de Hollywood, mostra o ser humano como joguete sem vontade própria, de um sistema que o lança em uma situação que lhe massacra e bestializa,  embrutece e o torna simplesmente um número numa campanha, um peão no tabuleiro dos que ficam de longe 'planejando novos jogos de guerra'.



Leitura obrigatória para todos que amam a liberdade.

07 fevereiro 2012

LI E RECOMENDO...


LOVELESS ou TERRA SEM LEI
Criado por Brian Azzarello e Marcelo Frusin


Roteiros: Brian Azzarello (100 Balas, Cidade Castigada)
Desenhos: Marcelo Frusin, Danijel Zezelj e Werther Dell´Edera
Cores: Patrícia Mulvihill, Martin Breccia e Lee Loughridge


Sobre Azzarello, uma opinião.


Brian Azzarello
     Gosto muito de Brian Azzarello. Sim, considero que sua série 100 balas é uma das melhores séries contemporâneas. E acho que Cidade Castigada - o arco em que revisita o personagem Batman é uma das melhores histórias do homem-morcego) resgatando um lado seu obscuro e pesado, quase como Frank Miller fez em Dark Knight Returns. isso sem falar em Coringa ou Lex Luthor Man of Stell, Todas ótimas parcerias com os monstros Eduardo Risso e Lee Bermejo.


     Pra mim, Brian Azzarello além de escrever diálogos ótimos, frios e cortantes como um fio de navalha, sabe retratar como ninguém tipos humanos - com todas as suas fraquezas e suas qualidades. Ele consegue de maneira magistral retratar o ambiente em que a história se desenrola. Seus personagens não são de papel e tinta, são de carne e sangue. Perdidos, derrotados, cruéis, falhos, terrivelmente verdadeiros.

     Além disso, cria tramas que fariam Dashiell Hammett e Raymond Chandler tirarem o chapéu. Ele é um escritor noir no verdadeiro sentido da palavra. Não são apenas cenários decadentes, ternos gastos e gente derrotada. Azzarello explora a alma humana e extrai o que de pior e melhor ela tem. 


Sobre Loveless


     Fazia tempo que não lia uma hq de faroeste tão boa. Loveless é um grande gibi e segue na linha de faroestes como Os   Intocáveis de Clint Eastwood,  ou o o moderno Bravura Indômita, mostrando pessoas reais e um novo olhar sobre os acontecimentos de uma das mais cruentas guerras civis que já houveram nos EUA com mais de 600 mil mortos..


     A história começa logo após a derrota do Sul, na guerra de secessão. Wes Cutter volta ao lar após ter combatido ao lado dos confederados apenas para encontrar sua fazenda e sua cidade ocupadas pelas tropas do norte. E sua mulher, Ruth, exilada. Sobre a cidade um manto de mistério e medo. Aos poucos vai se descobrindo o que aconteceu na sua ausência. Wes se torna um simbolo de resistência a ocupação, desafiando a todos com suas atitudes. Pessoas que querem esquecer o que foi a guerra mas ele não deixa. Seu objetivo é claro: a guerra não acabou. Ele lutará até o fim porque não tem outro jeito.


     Ao mesmo tempo, sabemos da história do soldado nortista, Atticus Mann. Negro e rebelde, Atticus nasceu no Sul mas cedo fugiu para o norte em busca de uma vida melhor. Foi alistado e voltou para guerrear contra o Sul. Através de Atticus vemos a realidade do negro nos Estados escravagistas do Sul. A repressão e o racismo forte que havia e a luta pela sobrevivência.


     Sobre a Guerra da Secessão, cabe uma explicação. Tudo começou porque os Estados do Sul que eram de economia agrícola e possuiam grandes latifúndios eram contra a libertação dos negros escravos que eram a mão-de-obra barata indispensável.  Como Abe Lincoln que era presidente em 1861, queria a abolição fez se a guerra. Porém mesmo com a vitória do Norte e a sua libertação, os negros foram marginalizados por falta de políticas públicas por parte do governo. 


     Loveless tem uma trama bem elaborada e abusa dos flashbacks 'ao vivo' - um recurso em que cenas do passado e do presente aparecem simultaneamente. o que a principio tende a confundir mas chama atenção para pontos capitais da trama.


     Uma pena que foi cancelada nos States no n°24 se não me engano mas Azzarello fez questão de fechar o arco que conclui na edição 21 e publicar mais 3 histórias que falam sobre os destinos de alguns personagens que aparecem durante a trama, falando um pouco sobre as consequências da guerra civil e o futuro.

     Sobre a arte, Loveless é um show. A diversidade de desenhistas que tem estilos tão diferentes e que a principio podem confundir um pouco o leitor mostra-se uma idéia brilhante devido a qualidade dos mesmos. A diversidade enriquece a experiência da leitura.
Marcelo Frusin, velho conhecido do público com Hellblazer,  está muito em forma e suas cenas e enquadramentos são dignos de grandes clássicos de faroeste, criando um clima de deixar Sérgio Leone babando. 
Danijel Zezelj  é muito bom e talvez seja a grande surpresa da série - com seu  traço peculiar - mais carregado e sujo, contrastando com o estilo limpo de Frusin, constrói sequências incríveis e sabe passar a emoção dos personagens. São suas algumas das melhores histórias da série.
Wherter Dell´Edera talvez seja o mais fraco dos três mas não gosto dessa palavra que não o define. Tem um estilo limpo e estilizado e peca algumas vezes mas conta a história de maneira dinâmica e segura. 

     As cores são perfeitas, contribuindo para o clima das histórias e respeitando o traço de cada um dos desenhistas. trabalho mais do que competente. do trio  Patrícia Mulvihill, Martin Breccia e Lee Loughridge. Belíssimo trabalho.


     Loveless é uma dessas histórias que por mais que se fale não se consegue exaurir o tema. Há sempre mais alguma coisa a se descobrir , um angulo novo, um detahe que passou. Seja no argumento ou na arte. Vale a pena dar uma conferida. Aposto que deverá ficar na sua estante num lugar bem especial.

Aqui a Panini publicou a série na íntegra em 4 encadernados que já saíram há algum tempo mas ainda se pode achar com relativa facilidade.

Recomendo.













02 janeiro 2012

ANO NOVO VIDA NOVA 

Hoje é o primeiro dia do ano e ai ficamos pensando que o ano que vem vamos fazer um monte de coisas diferentes do que fizemos no ano passado.  Pensamos em emagrecer, viajar mais, curtir mais a vida, trabalhar menos (que esperança, é ano de eleição), rir mais também. Vamos ler aquele livro que está parado na estante (aquele ou aqueles). Pensamos em ser mais tolerantes. Ajudar a quem precisa e não gastar muito dinheiro com 'bobagens'. Realizaremos aquele velho projeto que está na gaveta há tanto tempo. Desde ... faz quanto tempo mesmo que aquele projeto está lá? Melhor não pensar nisso. 
O importante é que um novo ano se inicia. e hoje é o primeiro dia do resto do novo ano. E teremos tempo para fazer tudo o que nos propusemos a fazer no ano passado mas não tivemos tempo. porque afinal, estávamos ocupados demais, trabalhando, navegando, pensando em comprar alguma coisa e tentando manter as contas em dia e o ano passou tão rápido que quando vimos era tarde e não dava mais tempo de emagrecer, viajar, curtir a vida e trabalhar menos. Rir até rimos, porque é fácil. Tem tanta merda por aí e somos tão crueizinhos que rimos do que não devemos mas também não somos perfeitos, ora! mas esse ano vai ser diferente.